17/02/2010

Vivo num país, tão perto, mas tão distante no seu desenvolvimento e na sua capacidade de re-invenção !!!!



Vivo num país altamente endividado, com níveis de pobreza dignos de um terceiro mundo e uma das maiores disparidades entre ricos e pobres, onde ter ideias é até considerado subversivo, sem capacidade para inovar, altamente improdutivo (a níveis da Eslovénia e congéneres) e incapaz de sair de esquemas de amigos, sociedades mais ou menos secretas e outros tantos sistemas que mantêm a sociedade e a economia reféns, numa lógica de quase "underground", sem a mínima transparência (e para gáudio de uns quantos franceses e ingleses, que nos classificam de PIGS).

Se estamos próximos da Grécia ou já os igualámos é um óptima discussão que não nos poderá deixar mais confiantes, antes mais deprimidos, porque a estatísticas dizem o que cada um quiser. Os factos no entanto são bem mais reais e a realidade deste país à beira mar perdido é o de quem tem uma economia absolutamente disfuncional, cuja lógica não é tão somente a de mercado, onde tudo se negocia e combina "por debaixo do pano", onde os amigos incompetentes têm assegurados os melhores lugares, não importa as consequências da sua danosa gestão para o país e os contribuintes. E sabem estes senhores que, muito menos haverá justiça que lhes valha, pois esta não funciona, ou então giza-se por "dois pesos e duas medidas".

Isto é, vale tudo em nome da amizade, da sociedade a que se pertence, seja ela o clube de futebol, a maçonaria, o opus dei, os partidos políticos ou outra qualquer organização de "massas". A produtividade do país é ridícula, sobretudo se olharmos por exemplo a que são gastos por ano largos milhões em sistemas e tecnologias de informação, que depois e apenas pela incompetência dos gestores e seus séquitos, não são adequadamente implementados ou até em muitos casos ficam a apodrecer em armazéns, tal batatas já greladas.

E tudo isto em prol das "melhores práticas" e outras metáforas medíocres que os nossos gestores "sabidões" inventam para manter as torpes mentiras, que escondem a sua profunda incompetência e simultâneamente lhe continuam a garantir lugar sagrado no pódio da mediocridade instalada. Mas se mesmo assim algo corre mal há sempre hipótese de recorrer novamente à amizade e à sociedade ou ao clube mais ou menos secretos, para num ápice conquistar de novo um "lugar ao sol", onde podem continuar a estiolar os já de si tão escassos dinheiros públicos e privados, que constituem a riqueza (ou será pobreza??) do nosso querido país.

E no entanto conheço empresas (públicas e privadas !!) que continuam a manter estruturas hierárquicas dignas do Taylorismo, de base e com comunicação completamente assimétrica, que em nome das "melhores práticas" implementam sistemas organizacionais completamente inflexíveis, colocando chefias intermédias que motivam os colaboradores pela ameaça diária, gerem e asseguram a sua dominância pela técnica de "dividir para reinar", implementam sistemas de controlo absurdos e sem sentido (onde predominam as famosas folhas de cálculo excel), emitem ordens arbitrárias ou confusas e em geral usam o seu poder da forma mais arbitrária, tudo isto para perpetuar os seus lugares. Desta forma estas chefias movem-se por interesses e jogos psicológicos, que apenas prejudicam a empresa, destabilizam os colaboradores e fundamentalmente impedem a produtividade e a colaboração nas empresas, hipotecando assim o futuro do país e das gerações vindouras.

O grande parodoxo é que se fosse efectuado um estudo sério e aprofundado sobre como optimizar estas estruturas organizacionais taylorianas, adequado-as a uma gestão do Sec XXI e num mundo cada vez mais globalizado, verificar-se-ia facilmente que a grande maioria destas chefias intermédias pura e simplesmente eram supérfluas e só acrescentam custos à organização, e logo ao preço final dos seus produtos e serviços, contribuindo desde logo para a falta de competitividade, que tanto precisamos combater.

Como facilmente se poderá verificar, estas chefias intermédias por não terem normalmente habilidades ou competências técnicas, e pela absoluta necessidade de exercerem a sua autoridade de forma completamente arbitrária, mas por pura defesa no contexto da organização, impedem ou eliminam mesmo a capacidade do trabalhadores poderem interagir em equipe, trocar ideias, inovar ou até mesmo de comunicar com níveis de gestão acima, já que estes actos são de todo considerados uma ameaça para a sobrevivência destas chefias intermédias.
Assim continuam organizadas a grande maioria das lusas empresas públicas e privadas, que de ano para ano, vêm necessariamente a sua produtividade baixar e desta forma ameaçadas de extinção, à semelhança dos dinossauros que povoaram outrora o nosso planeta.
Como disse o gen. Shinseki "se não gosta de mudança ainda vai gostar menos da irrelevância". Mas os nossos gestores caducos preferem antes entoar a loa "equipe que ganha não mexe !!!".
E as empresas portuguesas geridas de forma magnânime por autênticos "gurus da gestão", não só toleram práticas de gestão de recursos humanos perfeitamente suicidas, como ainda nalguns casos até as incentivam, como "forma de dinamizar e motivar os colaboradores" ou até para resolver problemas de excesso de recursos e assim legitimar mesmo o despedimento, e na maioria das vezes de quem é incómodo ou competente.

É claro que há, para além dos aspectos de gestão de recursos humanos, muitos outras disfunções na gestão das empresas portuguesas e também construídas à sua volta muitos mitos que impedem estas de se re-inventar, mas a gestão das pessoas é claramente aquela que mexe com os intangíveis mais importantes, já que são eles o factor de produção que faz efectivamente a diferença.

Sem recursos humanos altamente motivados, adequadamente treinados e informados, não há chefia, capataz ou até mesmo chicote, que valha às empresas. Como diria Mr. Winston Churchill "os impérios do futuro são os império da mente.".
E para tirar o melhor partido possível do poder de todas essas mentes, que constituem o activo mais valioso de qualquer empresa, só poderá haver um caminho a seguir que é o de encontrar modelos organizacionais mais flexíveis e adaptativos, que dispensem o mais possível o comando e controlo e todos os lugares de chefias intermédias, que não acrescentam qualquer valor ao produto ou serviço final.
Assim aliviadas de burocracia e processos de comando e controlo completamente desadaptados no tempo e no modo, poderão as empresas encontrar novas formas de colaboração e inovação, também pelo verdadeiros entrosamento dos seus trabalhadores com a missão da empresa.

Só deste modo poderão as empresas tornar-se mais produtivas e competitivas no futuro e prepararem-se para os novos desafios de um mundo cada vez mais globalizado. Será "inovar ou morrer !!!!". É a alternativa que resta às empresas portuguesas, sejam elas públicas ou privadas !!! E tudo numa lógica global de "ou acrescenta valor ou se é extinto". E é bom que governo e empresários entendam rapidamente isto, senão poderá já ser tarde demais.
Há sempre a hipótese de fechar o país indefinidamente, para a necessária re-invenção, como ilustra a fig. acima, retomando a tese da "suspensão da democracia" !!!!

IT Architect / Open-Source Consultant

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