22/06/2011

O novo governo e a esperança sempre renovada dos portugueses!

Os portugueses são, e sempre foram, fortemente guiados nas suas acções diárias pelo situacionismo e o conformismo sem limites, ao ponto de dizerem que é de bom tom ser optimista, confundido optimismo sério com o passar cheques em branco a uma classe politica que os tem enganado sucessiva e demagógicamente ao longo de 37 anos.


O optimismo é importante e é desejável que se deva combater sempre o conformismo, mas considero que alimentar esperanças sem fim, que apenas dependem dos outros (neste caso dos politicos), para que tudo possa mudar em portugal, deverão todos concordar comigo que apenas e só se trata da mais pura condenação das nossas vidas e do nosso futuro à mais triste sorte!


O que os portugueses fazem é continuar a ter a esperança num D. Sebastião, que surge num dia de denso nevoeiro e por entre as brumas, e que se apronta a resolver, como por magia os problemas todos sem que nós precisemos de mudar de vida ou fazer cada um de nós algo, para que finalmente as coisas comecem a mudar neste pobre país. Ou seja estamos sempre a confundir esperança com optimismo e este com crença cega de que como por milagre, tudo finalmente se vai resolver (desta vez e mais uma vez).


Pois deixem-me dizer-vos que a realidade é bem diferente e as regras do universo não são assim, e aparentemente os portugueses continuam a não querer perecebê-las!

A mudança só poder ser efectiva quando cada um de nós se envolver de forma séria e determinada, com o propósito de começar a mudar tudo, mas tudo o que temos vindo a fazer exactamente ao contrário.

Só contrariando a tendência para o suicídio colectivo, que nos tem caracterizado nos ultimos 100 anos pelo menos, poderemos afastar-nos desta tendência e trilhar o caminho oposto que é o do sucesso e o de uma vida de equidade, justiça e realização pesoal e profissional, que como é obvio caminhará a par e passo com o sucesso das comunidades em que nos inserimos (empresas, organizações de laser, vida pública, pessoal, etc.), e finalmente culminando também com o sucesso da Nação.


Sem deixar de ser optimista e positivo, é fundamental no entanto asumir uma posição de cidadania exigente, vigilante e de rigorosa apreciação sobre a actuação deste novo governo e não é mais o tempo de passar cheques em branco a nenhum politico deste país, e alimentar uma esperança sem sentido, que nunca conduz nem augura nada de bom!

São eles (os políticos e governantes) que têm que demonstrar que face à situação escandalosa e onde impera o crime mais danoso sobre a coisa pública, estão dispostos a combatê-lo sem tréguas, tal como a corrupção no estado e na esfera privada, a fuga danosa aos impostos à vista de todos, o tráfico de influências, o compadrio e a economia de "underground", fomentada pelo poder oligárquico, dominado por uns tantos senhores que todos conhecemos bem, e que sempre enriqueceram fraudulentamente à custa da generalidade dos cidadãos deste país.


Ainda terão que se empenhar no combate à fraude e ao desperdício no estado que se estima seja superior a 30% do total da despesa. Não vale de nada tentar baixar TSUs, aumentar o IVA e ou outras medidas, que sem qualquer visão ou previsão rigorosa, apenas irão afundar mais o país, e com consequências ainda mais gravosas do ponto de vista social.

Este governo tem que se comprometer em primeira linha e com determinação no combate à ilegalidade à imoralidade, à injustiça e à impunidade com que se continuam a delapidar os dinheiros públicos, e só depois disso será possível aos portugueses então começarem a acreditar que realmente é exequível e aposta de valor, investir e trabalhar neste país e que este pode vir finalmente a ter futuro. Se isso não for feito a "montanha irá parir um rato", como parece já se descutinar por entre as primeiras declarações públicas e manifestações dos governantes indigitados, aparentemente já cegos pelas luzes da ribalta!


Teremos que passar a dar crédito apenas a quem provar merecer o crédito e não continuar a ter a esperança de que tudo vai mudar, apenas com a posse de mais um governo! É o governo que tem que dar sinais e acções claras e inequívocos ao cidadãos em primeiro lugar, e só então os cidadãos se poderão envolver numa parceria séria com este, e não o contrário, que será a "mesmice" desde há 37 anos!


Em suma, há que acreditar, mas "para acreditar é sempre e em primeiro lugar preciso duvidar" com lucidez e exigência, para que mais uma vez não vejamos defraudadas as nossas expectativas individuais e colectivas e o até patético optimismo e esperança que tenho visto estampado na cara de muitos portugueses não passe em meses apenas, e dê lugar ao costumeiro desânimo e pessimismo que nos caracteriza, e que nos leva sempre à falência social, eceonómica e pobreza, à beira dos quais temos andado sempre a rondar, como cidadãos e como Nação.


É tempo de uma cultura de realismo e confiança no futuro e em depositar uma confiança férrea em cada um de nós, e de uma atitude de verdade, de vigilância e de exigência de rigor em relação a nós próprios e principalmente em relação a tudo o que sejam acções deste governo, sem qualquer abrandamento ou distracção, manobras em que os politicos são especialmente dotados e sempre prontos a enganar os cidadãos.


O futuro pertence-nos, mas para iso é preciso conquistá-lo com verdade, trabalho sério, exigência e rigor em relação a nós próprios em primeiro lugar, e na mesma proporção aos outros com que trabalhamos, nos relacionamos, e principalmente com aqueles que nos governam, e em quem depositamos os nosso impostos e entregamos os nosso destinos colectivos e os das gerações vindouras.


Francisco Gonçalves

22 June 2011

francis.goncalves@gmail.com


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