19/12/2012

As organizações estrela-do-mar e aranha - O fenómeno das organizações sem líder !!

As organizações estrela-do-mar e aranha

Regra nº 1 Des-economia de Escala

Tradicionalmente, quanto maior a empresa ou instituição, mais amplo era o poder a exercer. No passado, os pequeno competidores podiam gozar das vantagens de serem flexíveis, mas a aposta segura teria sido nos grandes jogadores.
A descentralização mudou tudo. A AT&T era gigantesca, tinha uma infra-estrutura pesada e os seus empregados eram às dúzias de milhares. O Skype tinha apenas uns quanto empregados e um punhado de PC. Uma vez que não tinham ordenados para pagar, despesas de marketing ou instalações amplas, O Skype podia prosperar com receitas mínimas.
Entrámos num novo mundo onde ser-se pequeno pode trazer uma vantagem económica fundamental. À medida que as des-economias de escala vão aumentando, o custo de penetrar num novo mercado decresce drasticamente. Os pequenos tornam-se nos melhores. "Ou ainda mais vale poucos e bons que....".

Regra nº 2 O Efeito de Rede

O efeito de rede é o aumento do valor global da rede por cada novo membro admitido. Cada telefone ou fax adicional trazem valor acrescido a todos os outros telefones ou faxes do mundo.
Frequentemente e, sem gastar um tostão, as organizações estrela-do-mar criam comunidades onde cada novo membro traz valor acrescido à rede.
Empresas como a eBay e eMule usaram o efeito de rede não só para sobreviver, como também para prosperar. Cada novo site na Internet torna toda a rede mais rica em informação.

Regra nº 3 O Poder do Caos

Enquanto está a ler este livro, os Pais de todo o mundo estão a suplicar aos filhos que limpem o quarto. "Como consegues fazer alguma coisa no meio desta barafunda!!!".
Da mesma forma há a ideia convencional de que, para gerir uma organização, tem que haver organização e estrutura.
Mas, no mundo descentralizado, os jovens desarrumados podem alegrar-se. Ser caótico compensa. Em sistemas aparentemente caóticos, os utilizadores são livres de fazerem aquilo que bem entendem.
Os sistemas estrela-do-mar são magnificas incubadoras para ideias criativas, destrutivas, inovadoras ou mesmo completamente malucas. Vale tudo. As boas ideias atrairão pessoas (tal como as más!!) e, formando um circulo cada vez maior, elas executarão o plano a que se propõem. Instituindo uma ordem e estrutura rígidas, poderá conseguir-se uma normalização, mas a criatividade será esmagada. Quando a criatividade é valiosa, aprender a aceitar o caos é imperativo e mandatório.

Regra nº 4 O conhecimento nas margens

Nas organizações estrela-do-mar, o conhecimento distribui-se pela organização. Um exemplo bem recente é o sucesso da Wikipédia, Jimmy Walles compreendeu bem depressa que em algum canto do mundo haveria certamente conhecimento especializado em galgos, outros seriam peritos em História e assim por diante.

Regra nº 5 Todos querem contribuir

As pessoas que integram uma estrutura estrela-do-mar não têm apenas conhecimentos: têm um profundo desejo de partilhar e contribuir. A cultura da partilha de informação e conhecimento é um grande trunfo destas organizações, guindadas ao sucesso.

Regra nº 6 Cuidado com a resposta da Hidra

As organizações estrela-do-mar (organizações descentralizadas) são óptimos lugares para as pessoas contribuírem, e sim, fortalecem o sentimentalismo, motivando a emotividade e logo tirando partido da inteligência emocional. Mas ataquem uma estrela-do-mar e terão uma surpresa.
Quem atacar uma organização descentralizada acabará por se recordar de Hidra, o monstro de muitas cabeças da mitologia grega. Se lhe cortarem uma cabeça, surgirão duas em sua substituição. Há formas de combater estas organizações, mas nunca as combaterá cortando-lhe a cabeça (ela simplesmente não existe, mas muitas existem e outras se formarão rapidamente).

Regra nº 7 Os catalisadores são os maiores

Temos a tendência natural e convencional para querer saber quem é o chefe, quem manda de forma absoluta numa organização.
Embora não respondam pelo papel de presidentes, os catalisadores são cruciais para estas organizações. São eles que mobilizam e motivam toda uma organização, ao seu nível, na execução das tarefas necessárias ao seu objectivo definido de forma ideológica. E sem ideologia não existem organizações estrela-do-mar.
Numa organização estrela-do-mar as pessoas fazem o que querem e os melhores catalisadores são aqueles que põem as pessoas em contacto e vão marcando o passo da ideologia definida.
Mas cuidado: se um catalisador for transformado em presidente, toda a rede ficará em perigo.!!!!

Regra nº 8 Os valores ideológicos são a Organização

A ideologia é o combustível que alimenta uma organização descentralizada. Retire-se a ideologia e/ou os princípios a uma organização estrela-do-mar e ela perecerá de imediato.
Querendo mudar uma organização estrela-do-mar, a melhor forma é mudar-lhe a ideologia que lhe está subjacente.

Regra nº 9 Medir, Monitorizar e Orientar

Só porque as organizações estrela-do-mar tendem a ser ambíguas e caóticas, tal não significa que os seus resultado não possam ser medidos. Mas, ao medir uma organização deste tipo, mas vale estar vagamente certo do que rigorosamente errado.
Orientar uma organização descentralizada requer alguém que é um misto de arquitecto, chefe de equipa e observador extasiado.

Regra nº 10 Espalmar ou ser Espalmado

Há várias formas de combater uma organização descentralizada. Podemos mudar-lhe a ideologia dos membros ou tentar centralizar a mesma. Mas, frequentemente, a melhor hipótese de sobrevivência é o lema "se não podes vencê-los, junta-te a eles..".
No mundo digital, a descentralização continuará o seu caminho (o caminho do caos....!!) e invariavelmente irá mudar e transformar a indústria e a sociedade.
Combater essas forças de mudança é, na melhor da hipóteses, contra-producente. Mas essas forças se aproveitadas e transformadas são um poder imenso: pergunte-se aos partilhadores de músicas, aos utilizadores do Skype, aos comerciantes do eBay, e por aí fora?
Sim, as organizações estrela-do-mar parecem, de início, ser desarrumadas e caóticas. Mas, quando começamos a apreciar a sua actuação e sucessos e todo o seu potencial, o que de inicio nos parecia ser uma entropia revela-se afinal, uma das mais poderosas forças que o mundo alguma vez viu.

Texto extraído do livro " A Estrela-Do-Mar e a Aranha" - Fenómeno das Organizações sem lider, de Ori Brafman e Rod A. Beckstrom, em 2008.
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