21/12/2013

O “país do burro” e dos muitos burros que estão a virar asnos!

Muito triste este país amoral e criminosamente injusto, e onde a própria justiça, ou tem medo ou foi já comprada pelos muitos grupos económicos que dominam esta pobre terra, e dela fazem os seus "mercados", constituindo assim os cidadãos em meros escravos.

Demasiado duras as minhas palavras? Ou a realidade objectiva de quem não a quer ver e continua a esconder-se atrás de mentiras e inverdades convenientes e sobretudo cómodas?

Mas até quando tal vai ser possível é a questão!

Pois num país onde mais de 55% dos portugueses vivem hoje na beira da pobreza e gravitam na órbita dos impérios das caridadezinhas fascistas, que se anunciam e insinuam ignóbilmente nas rádios, TV e nos média em geral.

De facto, confirma-se que a pobreza é um grande negócio e este é o estado putrefacto a que chegámos, mas com um povo submisso e que ainda apoia e vai votar neste ditadores todos! E confirma-se também que "um povo assim está a ser ele próprio o instrumentos CEGO da sua DESTRUIÇÃO".
Vivemos hoje sob uma Ditadura bem mais ignóbil que a do próprio ditador Salazar. Eu sei do que falo, vivi lá e não gostei!
No entanto tenho que admitir, embora com enorme pesar, que nos tempos de Salazar ainda havia gente honesta, pura e que não pactuava com a mentira nem a ignomínia. E a excelência e o mérito ainda eram reconhecidos na sociedade e a educação pautava-se por estes rigorosos critérios, que são os únicos que podem levar uma sociedade ao sucesso.
Hoje campeiam a mentira torpe, a incúria, a incompetência e a ignomínia, e onde só os desonestos, os corruptos, os incompetentes e os medíocres são "gente de bem", são reconhecidos pelos seus "pares" e "bem sucedidos" !
Nesta ditadura dos plutocratas e agiotas, são "maus cidadãos" todos aqueles que se pautam pela verdade, que são honestos e pessoas de bem. E a estes apenas lhes está reservado terem que emigrar para sobreviverem!
Aos que por cá ficam e que se calam submisso a estes tiranos todos, infelizmente não lhes auguro grande futuro, a não ser uma pobreza de um submundo, pior que qualquer país subdesenvolvido da África subsariana!
“Os que sabem dar a verdade à sua pátria não a adulam, não a iludem, não lhe dizem que é grande, porque tomou Calicute; dizem-lhe que é pequena porque não tem escolas. Gritam-lhe sem cessar a verdade rude e brutal. Gritam-lhe: tu és pobre, trabalha! tu és ignorante, estuda!, tu és fraca, arma-te!”
[Eça de Queiroz]
FGonçalves (03Dec2013)
Nunca as palavras de Jorge de Sena fizeram tanto sentido, nem nos tempos de ditador Salazar (e eu vivi lá!), como o fazem hoje nesta ditadura da mediocridade e onde a pobreza de espírito é quem mais ordena !
A excelência e o mérito são em Portugal perseguidos e convidados a emigrar, como nunca !
"Que adianta dizer-se que é um país de sacanas?
Todos os são, mesmo os melhores, às suas horas,
e todos estão contentes de se saberem sacanas.
Não há mesmo melhor do que uma sacanice
para poder funcionar fraternalmente
a humidade de próstata ou das glandulas lacrimais,
para além das rivalidades, invejas e mesquinharias
em que tanto se dividem e afinal se irmanam.
Dizer-se que é de heróis e santos o país,
a ver se se convencem e puxam para cima as calças?
Para quê, se toda a gente sabe que só asnos,
ingénuos e sacaneados é que foram disso?
Não, o melhor seria aguentar, fazendo que se ignora.
Mas claro que logo todos pensam que isto é o cúmulo da sacanice,
porque no país dos sacanas, ninguém pode entender
que a nobreza, a dignidade, a independência, a
justiça, a bondade, etc., etc., sejam
outra coisa que não patifaria de sacanas refinados
a um ponto que os mais não são capazes de atingir.
No país dos sacanas, ser sacana e meio?
Não, que toda a gente já É, e pelo menos dois.
Como ser-se então nesse país? Não ser-se?
Ser ou não ser, eis a questão, dir-se-ia.
Mas isso foi no teatro, e o gajo morreu na mesma."
10/10/1973
Poema de Jorge de Sena
(poeta, crítico, ensaísta, ficcionista, dramaturgo, tradutor e professor universitário português).
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