17/02/2011

A flexibilização dos despedimentos é um problema falso na economia portuguesa !! Portugal tem que acordar para a realidade..


É tudo uma falácia esta questão da flexibilização dos despedimentos e apenas manobra de diversão para que tudo continue na mesma, neste país onde campeam Velhos do Restelo e muitos mais oportunistas. Senão veja-se que os problemas da economia e de competitividade / produtividade de Portugal não se resolvem flexibilizando ainda mais os despedimentos.

É uma medida gratuita que se vai pagar cara em termos sociais nos próximos anos, se mais nada de razoável for feito, a não ser as costumeiras medidas que injectam uns milhões nas mãos dos habituais "amigos" dos partidos e de uma classe de gestores e empresários oportunistas e de cariz perfeitamente fossilizado.
Hoje já as empresas despedem com a maior das facilidades, pagando relativamente baixas indemnizações. Admito que haverá, sim um problema com as pequenas empresa, tipo negócio pessoal, abrangendo normalmente de 1-10 trabalhadores, mas mais nada!!!

E sobretudo lamento que o país inteiro ande a discutir competitividade e produtividade e esqueça que portugal assenta maioritariamente a gestão em empresários que não têm capacidade para gerir as empresas no Séc XXI, nem percebem o que está acontecer de mudanças no mundo, continuando a "gerir" os seus negócios tal qual empresas do início da era industrial, e tratando os seus empregados ("recursos humanos"), como nos nesses tempos!! Claro que gerir desta forma desajustada e até grotesca, que em meu entender e experiência "in loco", deve atingir mais de 70% das empresas portuguesas (estado, empresas públicas e empresa privadas fossilizadas).

Para chegar a esta conclusão basta estudar as politicas de RH e verificar que a estrutura e os moldes organizacionais são quase todos baseados em conceitos e práticas taylorianas dos inicio do Sec XX, e transportas do modelo da "fábrica" para os escritórios!!!
Em Portugal o problemas não é dos empregados, é dos empregadores e enquanto se continuar a mistificar este problema, enganando o país, vamos continuar a ter a economia num pátio de lodaçal, sempre a piorar e a dívida externa também a crescer!!!! Pelos vistos o despesismo do estado continua intacto!!!! Portanto tudo na mesma como a lesma!!!

Ainda a propósito destas ideias peregrinas de gente que não percebe as mudanças que o mundo global enfrenta, e de que Portugal parece teimar em viver como se fosse uma ilha, escrevi algo há uma ano :
Vivo num país, tão perto, mas tão distante no seu desenvolvimento e na sua capacidade de re-invenção !!!!: http://fgonblog.blogspot.com/2010/02/vivo-num-pais-tao-perto-mas-tao.html

E já agora convêm que leiam também com atenção o que vai acontecer nos próximos anos às economias dos EUA e Europa, e de como temos de nos re-inventar todos: empregadores e empregados. Trata-se da mudança que a nova economia emergente já designada de conceptual, vai introduzir nas sociedades e no Mundo (ver artigo Wikipédia para info detalhada) :http://en.wikipedia.org/wiki/Conceptual_economy

Apenas dois exemplo dessas mudanças que já estão a ocorrer neste novo mundo estranho, mas pleno de novas oportunidades, são: Um dos cantores que integra o grupo Black Eyed Peas acaba recentemente de ser nomeado innovation creator da colossal INTEL (estranho, não!!!??) e nas universidades dos EUA, nos cursos de Medicina passaram a integrar o curriculum obrigatórios duas cadeiras, que são de Artes e de Psicologia / Sociologia (mais estranho ainda!!). Mas pensem, ambas têm uma estranha razão de ser e fazem parte do futuro que já está por aí!!

Acreditem o mundo está a mudar e muito. Mas em Portugal "teima-se em fazer as coisas como no tempo dos romanos", e depois querem mais produtividade e competitividade!!??
O ditado que a seguir menciono aplica-se a todos: empregados e empregadores, gestores públicos e privados, governantes e governados : "Se não gosta de mudança, ainda vai gostar menos da irrelevância." (Shinsek apud Peters, 2008: 17).

Por Francisco Gonçalves / Jan 2011
francis.goncalves@gmail.com



Vale a pena lembrar este poema de Camões sobre a mudança :

Mudam-se os tempos
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o Mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.
O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.
E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.
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