03/05/2011

O Open Source e Inovação: Como o movimento de código aberto vai mudar tudo e todos !

Com a introdução aos novos conceitos que lhe iremos expor, por agora, considere apenas isto: em apenas alguns anos, o código de fonte aberto, a enciclopédia Wikipédia, tornou as enciclopédias baseadas em código fechado completamente obsoletas - Adeus Livros e Enciclopédias e Britânica.
Claro, essas empresas continuam a existir, mas a sua base de clientes está rapidamente a encolher e cada vez, mais e mais as pessoas preferem ir à Wikipedia - é gratuita, é fácil de usar, e está muito, muito mais actualizada.
Este é apenas um exemplo de como o conceito de open source mudou as nossas vidas já hoje e continuará a mudar cada vez mais no futuro.
Nos próximos 10 anos ou mais, nós estaremos a lidar com muito mais exemplos, e os seus efeitos podem mudar quase todos os aspectos das nossas vidas.

O conceito de código-fonte aberto foi popularizado através do GNU e da GPL , e espalhou-se desde então, e de uma forma cada vez mais rápida. O código de fonte aberto do sistema operativos para computadores, o Linux, tem crescido exponencialmente nos últimos anos, e por enquanto ainda tem um longo caminho a percorrer antes que possa desafiar de perto a Microsoft ou a Apple. No entanto tornou-se uma credível e até mesmo desejável alternativa viável, para muitos utilizadores e está sempre disponível gratuitamente e com elevados índices de actualizações e sempre em melhoramento continuo, ao contrário dos sistemas fechados Windows e Apple, cujos novos lançamentos são ainda lançados a intervalos de anos. Apenas como referência o Linux Ubuntu, uma das variantes deste O/S, lança completas novas versões a cada 6 meses.

- As alternativas de código aberto têm crescido em número e amplitude: desde software de escritório, a software financeiro para web e utilitários de "desktop", até aos jogos, e mesmo praticamente qualquer software em que possa pensar, pode ter a certeza de que existe desde logo uma alternativa de código aberto. E em muitos casos, a versão open-source é até bem melhor que as de fonte fechada e pagas.
Agora considere o seguinte: o conceito de open-source não tem apenas que se limitar a aplicar-se ao software. Pode aplicar-se a qualquer coisa na vida, a qualquer área onde a informação está nas mãos de poucos, em vez de muitos, qualquer área onde poucas pessoas controlam a produção e distribuição e aperfeiçoamento de um produto ou serviço ou entidade.

Agora, os exemplos a seguir talvez lhe possam soar um pouco idealistas, e são efectivamente, mas são possibilidades que poderão transformar-se com algumas probabilidades no próximo ano ou com muito mais probabilidades nos próximos 10-20 anos. Só o tempo dirá, mas vale a pena reflectirmos todos sobre isto.
  • Escolas. Actualmente, o conhecimento e o ensino está nas mãos de poucos, do básico, passando pelo ensino médio até à educação superior. Mas por que precisamos passar pelo sistema escolar privado ou público, e porque Harvard e Stanford e o MIT, por exemplo terão que continuar a controlar a educação dos nossos profissionais e académicos? Nos EUA existe um projecto designado por "Home-schooling", e trata-se de um movimento crescente que permite aos pais, e no sentido de recuperarem o controle da criança e da sua educação, afastando-a de um ambiente autoritário de controle da mente, de forma a garantir-lhe uma aprendizagem, de questionamento, de pensamento crítico - e é isso que a educação deve ser, mas que hoje não acontece nas escolas públicas e privadas ainda porque os governos pura e simplesmente não deixam e não abdicam de formatar os cidadãos aos seus objectivos de governação.
E por favor, entendam que não estou a culpar os professores - eles são boas pessoas com boas intenções, mas estes estão vinculados ao sistema escolar, que é realmente controlado pelo governo e são obrigados a seguir os métodos e os conteúdos que os governos impõem aos cidadãos.

O conceito de fonte aberta pode ser aplicado ao ensino superior: imagine uma escola online para programadores de computadores, contabilistas ou empresários, onde os verdadeiros profissionais decidem o currículo, ministram as aulas e emitem os respectivos certificados. Aliás sistemas de e-learning como a plataforma bem conhecida no mundo, o Moodle, é uma plataforma que assegura a entrega de conteúdos, a avaliação e a própria emissão dos certificados de forma totalmente automática, se assim for desejável.

Se esta alternativa cresce em aceitação (e isso vai levar muito tempo para acontecer pelo mundo fora), não há razão para que um grau académico obtido em Harvard seja melhor do que um grau obtido através de sistemas baseados em código fonte aberto, o que ainda por cima traria grandes vantagens, já que tornaria esse ensino bem menos dispendioso e de igual eficácia, pelo menos.
  • Governo. Nossos governos são controlados por um número relativamente pequeno de pessoas (os políticos e tecnocratas), que controlam muitos aspectos de nossas vidas, desde os impostos e gastos do governo até à regulamentação da Internet e todos o comércio e indústria. Mas imagine que começam a surgir alternativas open-source para estas funções, e cada vez mais são criadas e disponibilizadas online ofertas alternativas, e estas crescem em aceitação. Isso pode ser difícil de imaginar hoje, mas o exemplo das escolas acima referido é já hoje perfeitamente exequível e até fácil de implementar no país.
Outros exemplos e possibilidades onde o open source poderá ajudar será na resolução dos problemas dos mais pobres da sociedade, através de acções concretas e pela mobilização das comunidades ( aliás já temos um pequeno exemplo do muito mais que se pode fazer através do open-source neste site : Levanta-te Portugal - “O mundo que queremos”, Pobreza Zero. (link : http://pobrezazero.heylife.com/?p=369 ).
E estamos a falar em ajuda aos mais necessitados da sociedade, em vez de ser o governo a fazê-lo, que é ineficiente e desperdiçador também nestas acções.

Outro campo de potencial é o open-source na ajuda médica,como alternativa aos sistemas públicos de saúde do governo. Há imensas possibilidades que poderão constituir-se em opções aos serviços providenciados pelo governo, tornando cada vez mais fraco o seu argumento de cobrança de impostos e de taxas mais elevadas.
  • Sociedades Anônimas. Isto ainda vai soar mais idealista, mas considerem que o poder das corporações e empresas é a sua capacidade de deter conhecimento, controle e produção e distribuição de produtos e serviços. Se o seu conhecimento se tornar livre através de alternativas abertas - substituindo medias corporativos versus blogs - logo de seguida, as corporações deixariam de ser necessárias. Mesmo processos de fabricação poderiam tornar-se descentralizados, se as patentes sobre os produtos se tornarem também open-source e de direitos abertos (do tipo Creative Commons).
  • Entretenimento. A música, cinema, televisão, livro, revista e as indústrias estão ainda em modelos de código fechado - com a produção e distribuição dessas fontes de entretenimento controlado por alguns cidadãos apenas em situação de monopólio. Apenas um número pequeno de pessoas lança álbuns, filmes ou livros, embora existam muitas outras pessoas de talento lá fora. A aprovação dos contratos dessas produções são controladas por um pequeno número de pessoas. Há um número limitado de canais através dos quais podem ser distribuídos. Mas considere uma alternativa de código aberto, onde as pessoas colaboram na música e libertam-na para o público através da Internet. Isso já está hoje acontece na internet com as indústrias de livros e as revistas, tal como as pessoas podem distribuir gratuitamente e-books ou escrever blogs ou colaborar em livros de receitas e manuais de como fazer o que quer que seja (isto é divulgando know-how) e modelos totalmente abertos.
  • Dinheiro. Isso vai parecer um prolongamento do modelo que já foi atrás defendido, mas o que é o dinheiro? É um sistema de código fechado que diz que em troca de me dar seu produto ou serviço, eu vou dar-lhe um “voucher” que pode ser usado em outro lugar para colocar os seus produtos ou serviços (ou como você quiser usar o seu “voucher”). Uma alternativa de fonte aberta pode ser criada, e desde que as pessoas confiem nos novos sistemas abertos que venham a ser criados (hoje por exemplo toda a gente confia na ebay, no paypal, então onde está a dúvida?!), não há nenhuma razão para que estes tenham que ser controlados pelos governos, e para que não possam mesmo ser usados universalmente, por todo o mundo.
  • Internet. A maioria dos produtos ou serviços na internet estão ainda fechados de origem, incluindo a Google, Microsoft e Yahoo. Isso provavelmente vai mudar quando as pessoas começarem a desenvolver alternativas de fonte aberta para esses produtos e serviços. Já existem alguns por aí, de código-fonte aberta, na área de e-mail e sistemas de busca alternativas, wikis de dicionários online, listas de Internet, e por diante. Com as doses adequadas de criatividade e de inovação o único limite à criação destes novos produtos e serviços é o próprio universo!
Como se pode verificar, com os modelos de fonte aberta a serem difundidos pelo mundo e a serem aplicados a todas as actividades da humanidade, o universo é mesmo o limite, para a criação de soluções mais acessíveis aos cidadãos do mundo e com cada vez menor controle e taxação de impostos por parte dos governos e dos grande monopólios, que também ambicionam por seu lado controlar tudo e todos.

Se acham que estamos a caminhar para um mundo cada vez mais globalizado e fechado, pois está na hora de deitar mãos à obra e aderir aos movimentos de código aberto e começar a colaborar já no sentido de criar alternativas abertas e acessíveis aos cidadãos, que desta forma ficarão menos sujeitos ao controle das mais variadas entidades e blocos de poder, que hoje anseiam por conquistar e dominar ainda mais os cidadãos e o mundo.

Penso que deveremos todos reflectir sobre isso, e olhar para o código de fonte aberta como uma forma de os cidadãos finalmente terem uma via para se libertarem e criarem os seus produtos e serviços e os colocarem directamente juntos dos seus utilizadores finais, sem o controle apertado de governos, e apresentando-se mesmo como alternativas aos serviços oferecidos por Governos, Bancos, Operadores de Telecomunicações, Distribuidores de conteúdos multimédia, etc, etc.

O futuro vai estar nas suas mãos e isso só vai depende de si, tal como eu tenho vindo a salientar nos meus posts...… O futuro de cada um de nós, vai estar cada vez mais sob o nosso controlo directo. Seremos nós que decidiremos o que queremos e para onde caminharemos.....

Francisco Gonçalves em 02 de Maio de 2011
francis.goncalves@gmail.com

(Baseado num artigo original de Open Source Life: How the open movement will change everything
escrito por Leo Babauta )

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