01/04/2013

Notas sobre um Projecto Educação Universal e Mobilidade no Sec XXI através da adopção de sistemas abertos


A minha proposta pretende abranger a redução de custos envolvendo todos os Organismos do Estado, mas também aumentar a eficiência e eficácia do Estado, principalmente na Educação, ao nível do secundário e ensino profissional. Sobre o ensino universitário debruçar-me-ei em nota futura.

Concretamente esta proposta de redução de custos em toda a administração pública, autarquias e organismos de alguma forma tutelados pelo Estado, envolve a adopção de software open-source (código aberto), que iria substituir todo o software proprietário em toda a administração do Estado, desde os sistemas operativos, passando pelos sistemas e ferramentas de escritório (normalmente designadas por office, ferramentas de desenvolvimento e todos os programas-produto que tenham alternativa fiável no domínio dos sistemas de código aberto.

Os benefícios para o Estado Português, se tomar esta iniciativa e à semelhança do que o Brasil já tem no terreno, podem ser múltiplos e não se confinam apenas à simples redução da despesa anual do estado em licenças de software, pagas a multinacionais e cujas divisas saem do País, sem nenhuma lógica que não seja a de proteger interesses instalados e multinacionais bem posicionadas.
De entre os principais benefícios para a nação portuguesa e os contribuintes destaco:

    • Amplos benefícios económicos que se traduzem pelo muito menor dispêndio de recursos financeiros que sairão do país;
    • Mais oportunidades de colaboração e disseminação de "know-how" aberto e disponível; 
    • Oportunidades para formação em tecnologias de código aberto nas escolas e universidades, com benefícios para o futuro do tecido empresarial do país e a sua competitividade; 
    • Maior acessibilidade às tecnologias e produtos de software e hardware pelas empresas e indivíduos; 
    • Uma oportunidade única para o desenvolvimento das Tecnologias de Informação no país, que por sua vez permite trabalhar de forma mais eficaz em todos os campos da actividade humana;
entre muitos outros.

Para além desta iniciativa de adoptar somente software open-source proponho que todo o perscurso escolar em portugal seja devidamente estruturado de molde a que todos os livros educativos sejam de base “open-source” e materializados em e-books (livros de formato electrónico), à semelhança do que já foi efectuado em alguns estados dos EUA.

Ainda paralelamente a esta iniciativa de dispor de todas as matérias do percurso educativo que vai do 1 ao 12º ano, em formato electrónico e acessivel universalmente e gratuitamente (já  temos o “ferro” ou seja o hardware através do aclamado projecto Magalhães).
Mas não nos podemos ficar por aqui ainda e como tal proponho que seja criada uma plataforma de e-learning e respectivos conteúdos educativos (baseada em software do open-source como por exemplo o Moodle e o Sloodle  - Second Life in Education), com todas as licões e percursos de aprendizagem do sistema de educação que vai do 1º ao 12º ano, também de acesso totalmente livre e gratuito, quer nas escolas, quer mesmo nas comunidades de aprendizagem pública e/ou privadas.

Todo o sistema de ensino devidamente estruturado, quer em termos de contéudos, quer a sequência de plano de estudos do país, estaria assim disponível numa plataforma on-line com completa integração de sistemas de video-conferência, apresentações, reuniões virtuais, etc., que seria obrigatoriamente seguida pelo sistema de ensino privado e público de Portugal, muito embora como o devido e importantíssimo acompanhamento pedagógico dos senhores professores e/ou tutores.

Estariamos desta forma a reduzir o peso e o envolvimento que os professores actualmente têm, já que estes passariam a seguir apenas o sistema de educação universal propiciado por esta plataforma on-line e as aulas poderiam ser muito mais ricas de conteúdo e experimentação, levando o país inclusivé a experimentar uma escola também com cariz construtivista, centrado no aluno e no seu desenvolvimento no seio das comunidades virtuais e físicas que esta pltaforma lhes proporcionaria a todos, independentemente da comunidade em que estivessem incluídos.

Estariam também dados os primeiros passos para uma escola (esta sim verdadeiramente inclusiva e de acesso gratuito e universal) e preparada a escola para servir no Séc XXI, onde "todos temos de aceitar o facto de que a aprendizagem passará a ser para a vida e a nossa tarefa mais premente em educação é ensinar as pessoas a aprender."  [Peter Drucker].

Por último ainda decorrente desta plataforma de ensino disponível online e gratuita, ficaria facilitada em termos de acesso aos recursos, a formação de adultos (as agora chamadas novas oportunidades), já que o acesso às matérias a leccionar poderiam ser muito mais facilmente acompanhadas pelos alunos, à distância, com todas as vantagens decorrentes destes sistemas de ensino, em termos de mobilidade e a mais completa liberdade na aprendizagem e mesmo nos próprios sistemas base de avaliação do conhecimento que iriam sendo progressivamente adquirido.

Outras iniciativas poderiam ainda ser tomadas envolvendo sistemas de e-learnig e tecnologias open-source, com significativa vantagem e ainda maior redução de custos para o Estado, o País e mesmo as empresas, mas em minha opinião estes seriam já passos fulcrais no sentido de uma estratégia de sucesso em matéria de educação livre e universal, materializando também o forte envolvimento com o Software Livre e a comunidade open-source.

Mas apenas estas iniciativas atrás descritas, só por si trariam grandes vantagens ao País nos mais diversos domínios, desde a educação à ciência, passando pela maior eficácia na continuação de uma estratégia já adoptada de e-gov e  bem sucedida, que decerto se tornaria também bem mais unificada e integrada com os outros sistemas que atrás descrevi.

‎"A mente intuitiva é uma dádiva sagrada e a mente racional é um servo fiel. Criamos uma sociedade que honra a serva e esqueceu a dádiva." [Einstein]

Por: Francisco Gonçalves
e-mail: francis.goncalves@gmail.com

Ver notas adicionais sobre a necessidade de mudanças para preparar o Ensino do Sec XXI:


Anexo sobre estimativas de redução de custos pela adopção de software de fonte aberta:

Não tenho valores concretos sobre impacto destas iniciativas sobre a redução de custos para o Estado Português, mas este directamente traria redução de custos quantificados da seguinte forma:

1. Reduziria em mais de 70% o valor de licenças de software e em mais de 20% no hardware, actualmente pagas pelo Estado Português, decorrente do uso generalizado de software proprietário, usado em todos os organismos tutelados por este (????);

2. Com a adopção de livros electrónicos e conteúdos gratuitos (e livres de direitos de autor) permitiria no ensino poupar muitos milhões de Euros gastos anualmente em livros escolares (que vão para o lixo ao fim do ano), quer pelo Estado, quer pelas famílias. (????);

3. Redução da carga de trabalho global dos professores, podendo estes focarem-se nas tarefas educativas que realmente são importantes, isto no pressuposto da implementação de uma plataforma de ensino standardizada e universal, o que representará certamente a poupança de muitos milhões de Euros, ao mesmo tempo que se aumentaria a eficácia e extensão do sistema de ensino compreendido entre o 1º e o 12º Anos. (????).

Atenção: Este é apenas um Documento Draft sobre uma ideia de introdução de software livre no ensino em Portugal e plataforma de e-learning universal.

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