01/04/2013

O Perfil do Empresário Português


Num momento em que a conjuntura económica é altamente desfavorável, as questões impõem-se: Qual o panorama do tecido empresarial português e quais os desafios que se colocam aos gestores nacionais?

Todas as análises sobre gestão são unânimes no diagnóstico: a maioria das empresas em Portugal são pouco competitivas. A receita é invariavelmente a mesma para todos: apostar na qualidade dos gestores, dos restantes recursos humanos e dos produtos. A resposta às debilidades do tecido empresarial português começa por um principio inevitável: a mudança das mentalidades.

O Perfil do empresário português

A mudança começa pelo topo, de acordo com Pedro Mendonça, consultor e professor em comportamento organizacional, que traça o perfil pouco confortável do empresário-tipo português: gere “reactivamente”, “defensivamente” e de forma “oportunista”. Tem em geral uma cultura empresarial incipiente, não tem estratégia, aproveita os incentivos públicos para a resolução dos problemas mais urgentes e o estilo é inequívoco: autoritário e paternalista.

Em suma o gestor português reage negativamente ao ser posto em causa e não permite aos colaboradores participar nos objectivos estratégicos da empresa e resiste à formação profissional dos seus quadros. Mais: o estímulo à criatividade e à iniciativa é praticamente nulo.
De acordo com o ultimo estudo efectuado a partir de dados disponíveis do Ministério do Trabalho, cerca de 60% dos empresários portugueses tem apenas 4 anos de escolaridade e 10% seis anos de escolar.

Resistência à formação profissional

O baixo nível dos empresários portugueses é responsável pela resistência à formação e aumento do nível educacional dos seus colaboradores.
Os últimos estudos sectoriais disponíveis do Inofor evidenciam aposta reduzida das empresas no desenvolvimento de competências relacionais e na formação em áreas comercial, de marketing e qualidade.

Antes do recente alargamento aos 10 novos países, Portugal tinha menos de seis trabalhadores a receber formação do que a média da União Europeia dos quinze (0,9 contra a média de 5,7). A insuficiência e a inexistência dos meios financeiros para investimento em formação é a situação mais comum.

Os fundos comunitários são a única fonte de financiamento na esmagadora maioria das empresas.
As questões impõem-se: como conseguir que as empresas evoluam em qualidade, quando os níveis de formação dos gestores e quadros intermédios são baixos ? Como estimular os colaboradores e gestores a aprender ? Que fazer para inverter o fenómeno de inércia que contamina alguns dos agentes empresariais portugueses ? A viragem é inevitável, sob pena do país se perder.

As ameaças multiplicam-se, segundo os diversos consultores de gestão: as economias dos novos países aderentes à UE, a economia chinesa e as constantes oscilações do petróleo exigem a saída do estado letárgico em que este país e os portugueses se encontram mergulhados.

Perante tal retrato, defende-se a mudança de mentalidades e capacidade de inovar constantes. Só um esforço conjunto de educação, formação profissional, interacção entre empresas, investigação, inovação e desenvolvimento é possível alterar o cenário actual.

As PME Nacionais

Ao retrato do empresário português, acrescenta-se o cenário da dimensão das empresas nacionais. Em Portugal mais de 90 por cento das empresas têm entre um e nove trabalhadores. São micro-empresas, cuja produção ascende a um terço do Produto Interno Bruto  (PIB) Nacional.No entanto o problema não está radicado na dimensão das empresas. Nos outros países europeus, também cerca de 90 por cento das empresas são micro-empresas. Por exemplo na Holanda mais de 90 por cento das empresa têm cerca de 12 trabalhadores, Em Itália 4 e na Grécia e Portugal 4.

Porém qualquer outra semelhança com as suas congéneres europeias é pura coincidência. A grande maioria das PME´s portuguesas ainda não tem capacidade de gerar valor  acrescentado e a capacidade de risco dos seus gestores é muito limitada. A “qualidade” dos gestores apenas reflecte o estado geral em que o país se encontra social e economicamente.

Há um déficite de qualidade na gestão das empresas portuguesas, falta de cultura empresarial e muita dependência do Estado. Investe-se normalmente em programas de reconversão de equipamentos, mas esquece-se a requalificação dos gestores e quadros.

É pois de importância vital a aposta na qualidade e qualificações dentro de cada Empresa Portuguesa.

Terão que se atingir objectivos como:
  • Satisfazer as necessidades dos clientes – a perfeição da empresa sob o aspecto de qualidade corresponde à total sintonia em o que é produzido e aquilo que o cliente necessita.
  • Aumentar a produtividade, tentando suprir todas as falhas internas do produto e/ou serviço, aumentando a qualidade com o menor custo possível. É aqui que a capacidade constante de inovar faz a diferença.
  • Promoção da realização sócio-profissional dos colaboradores para que estes se sintam motivados e realizados. Só assim haverá uma total convergência de esforços no sentido da melhoria da qualidade e produtiva de no país. E esta promoção de motivação e realização tem que ser originada no topo da pirâmide organizacional. Daí a importância da formação e atenção dos gestores para estas questões.

A gestão da qualidade corresponde a uma nova atitude e cultura empresarial onde todos se empenham ao máximo para obter a excelência no trabalho e isto pressupõe um compromisso individual de cada elemento com vista à produção de resultados com elevada qualidade.

O desafio que se coloca nos próximos anos a cada um de nós são: estudar, estudar, trabalhar, trabalhar, trabalhar, trabalhar. E se este é o desafio que se coloca aos gestores das empresas portuguesas, resta uma saída para este país: cumprir os objectivos atrás referidos e com qualidade.

Artigo publicado na revista “Distribuição em Foco” em 10 Sept 2009.


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