06/01/2014

Re-inventar as empresas do novo milénio!

O mundo instável: como isso afeta a vida das empresas em todo o mundo !

A nova ordem
A instabilidade vai ser a regra do próximo milénio. Como as empresas vão lidar com isso?

Artigo da autoria de David Cohen (EXAME 22/Março/2.000)

As revoluções de maior impacto para a humanidade acontecem, num primeiro momento, sem que as pessoas se dêem conta de sua profundidade. Foi provavelmente assim com a descoberta do fogo, com a domesticação dos animais e com a entrada na era da agricultura.
Foi assim na época das grandes navegações e nas duas fases da revolução industrial (primeiro com a máquina a vapor e depois com a eletricidade). Está sendo assim, novamente, com o que vários estudiosos denominam de revolução da informação, um termo que abrange o uso de computadores, a globalização, a desregulamentação e mesmo uma esperada segunda fase revolucionária, a era da biotecnologia.

Já se tornou uma espécie de lugar-comum dizer que o mundo em que vivemos hoje é caótico, mas é da própria natureza das revoluções reordenar o funcionamento das coisas - e nessa reorganização criar um período de instabilidade. Este é certamente um mundo menos estável do que no passado, menos rígido, menos seguro, menos previsível, e essa instabilidade já permeia toda a sociedade:

• Na maior economia do planeta, os Estados Unidos (com 250 milhões de habitantes), cerca de 26 milhões de pessoas mudam de emprego a cada ano e 42 milhões de pessoas mudam de casa, um terço delas saindo da cidade.
• Na Inglaterra e nos EUA, um em cada dois casamentos termina em divórcio. No Brasil, um em cada quatro.
• Filhos fora do casamento representam cerca de 25% de todos os nascimentos na Suécia e cerca de 50% entre os negros americanos.
• A lista dos 400 americanos mais ricos, feita pela revista Forbes, costuma ter 10% de novos integrantes anualmente. Este ano, teve 20%.
• No ano passado, leitores da revista VIP elegeram as 100 mulheres mais desejadas do mundo. Na edição deste ano, um terço delas saiu da lista.

Nada parece sobreviver muito tempo, e as empresas não são exceção. O consultor Richard Foster, da McKinsey, estudou 208 empresas durante 18 anos para identificar as que eram consistentemente bem-sucedidas. Só três funcionaram durante os 18 anos. Metade não conseguiu manter o ritmo por mais de dois anos. Um famoso estudo da Shell verificou que um terço das companhias listadas entre as 500 maiores da revista Fortune em 1970 tinha
desaparecido em 1983. Uma pesquisa recente, do Stratix Group, de Amsterdão, indica que a expectativa de vida média de uma empresa, de qualquer tamanho, medida no Japão e na maior parte da Europa, é de 12,5 anos. Na Internet, que prenuncia o futuro, o ciclo de vida das empresas é ainda menor. Só uma minúscula parte dos sites lançados em 1993 ainda existe, segundo uma pesquisa do presidente do Net Future Institute, Chuck Martin, nos arquivos do National Center for Supercomputing Applications, da Universidade de Illinois.

Já não é nem absolutamente certo que uma empresa deva almejar a sobrevivência - pelo menos nos moldes em que foi criada. Nos projectos para obtenção de capital de investidores nos Estados Unidos, é necessário que conste o caminho de saída (way out) da empresa - que pode ser o aporte de mais investimentos ou a abertura de capital na bolsa, mas também pode ser a incorporação da companhia por outra, ou mesmo seu desmembramento. (É comum a trajectória de empreendedores como o bioquímico Howard Birndorf, já na sua oitava companhia de biotecnologia, e o engenheiro Gururaj Deshpande, descrito como "conservador" pela revista de negócios em tecnologia Red Herring, que está na sua terceira  empresa, a Sycamore, de fibras ópticas.) No dia-a-dia das empresas, o horizonte estratégico típico de executivos, consultores e académicos passou a ser de um a dois anos, segundo uma pesquisa da consultoria americana Real World Strategist, em vez dos quatro a dez anos da década passada. Da instabilidade na relação entre empresas e empregados, então, nem se fala.

Segundo Marcelo Mariaca, da Mariaca & Associates, 95% das companhias americanas já dão opção de "outplacement" na hora da contratação. (Isso é mais ou menos como determinar, no dia do casamento, o cartório em que será feito o divórcio.) Na década de 70, 52,5% das empresas ofereciam "outplacement". Nos anos 80, eram 80%.
Num mundo assim instável, "há um conforto perverso em olhar as organizações como sujeitas às correntes do caos", dizem os consultores americanos Quinn Spitzer e Ron Evans, sobre as estratégias de algumas das melhores companhias do mundo. Já que o futuro é caótico, os líderes se sentem absolvidos da responsabilidade de planear. Esse "conforto
perverso" é a pior atitude para uma organização adotar. A proposta desta reportagem, que inaugura uma série de sete artigos sobre a Empresa do Novo Milénio, é arrancar a sua empresa - e a sua carreira - dessa zona de conforto.(....).

Ler Artigo completo AQUI.

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