06/01/2014

Portugal e a liga dos últimos no campeonato dos últimos !

Nunca ouvi falar tanto em invenções, inovações, empresas tecnológicas de sucesso e outras "buzwords" do género como em Portugal nos últimos 30 anos. Mas também nunca vi qualquer outro país falar tanto e fazer tão pouco, que é sobretudo a nossa especialidade lusa. Acrescentando ainda a usual prática da "crónica de mal dizer", em que somos todos peritos, mas poucos conseguem ser críticos, objectivos e construtivos. E aqui também Portugal e os Portugueses devem fazer um esforço de melhorar significativamente.

Acresce-se ainda que nunca vi nenhum país destruir tanto dinheiro em projectos de investigação (I&D), apoio a projectos "inovadores", financiamento de empresas visando a exportação (sempre com o dinheiro dos contribuintes claro!!), e obter resultados tão parcos e na maioria das vezes mesmo miseráveis, porque esses projectos nem chegam sequer a dar os primeiros passos, e entretanto o dinheiro dos contribuintes sempre a ser destruído, sem qualquer reprodução de riqueza.

Ora como bem sabem todos, somos um país de parcos recursos e como tal os mesmo têm que ser devidamente geridos e gastos com, para além de bom-senso, baseados em critérios bem claros e transparentes, e sobretudo atendendo ao potencial sucesso dos projectos que se decidem apoiar.

É sobretudo necessário que exista em Portugal visão de futuro e a capacidade de o vir a desenhar também, e não destruir recursos em tudo quanto é investigação, sem qualquer meta especifica ou tendo em conta a visão anteriormente delineada.
"Tentar adivinhar o futuro é uma tarefa ingrata e até missão impossível, e a única forma de o fazer é sermos nós próprios a desenhar e a participar na construção do futuro!".

Ou de outro modo, através de uma metáfora simples, tal como o caçador quando se propõe atirar a um bando de pássaros, terá que se focar no(s) possíveis alvo(s) a abater e não atirar para qualquer lado, também as verbas e dinheiros destinados a investigação, processos de inovação e comercialização visando a internacionalização terão obviamente que ter um foco bem claro e objectivo, sob pena de apenas termos "pássaros a voar" e nenhum "na mão", o que aliás tem sido a experiência aventureira e irresponsável de Portugal, nos últimos 30 anos, nestes domínios.

Dir-me-ão, que existem a empresa A ou a B que tiveram sucesso, empreenderam e até estão a singrar no mercado internacional e eu direi que de excepções não se fazem "primaveras". O sucesso e a excelência têm que ser perseguidos todos os dias e não apenas nos feriados, e Portugal e os responsáveis nestes domínios têm-se comportado um pouco assim, isto é descansam durante todo o ano e resolvem apenas inovar, trabalhar, arriscar e apostar, nos feriados ao longo do ano. É pouco e não chega!!!

Claro que o sucesso só se obtém com muita persistência e após muitas tentativas e erros, e se não forem tentados muitas vezes o número de sucessos reduz-se a insignificâncias como aquelas que temos vindo a obter. Embora a comunicação social paga faça enorme alarde de tudo isto, um pouco para que os contribuintes não se alarmem com os dinheiros irresponsavelmente canalizados para estes projectos falhados, e até sintam um orgulho "nacionalista tonto" porque, de tempos a tempos, ouvem a propaganda oficial dos governos falar de que Portugal inventou aqui, inovou ali e teve um sucesso num qualquer "Burondi" deste Planeta, tal não chega amigos, é preciso mais, muito mais trabalho, persistência e sobretudo orientação e inovação estratégicas flexíveis, assentes numa visão sobre o mundo e o futuro.

Vem tudo isto que acabei de escrever a propósito de uma nota recente que publiquei, em que considerei ser o momento mais que oportuno para que Portugal apostasse sério e estratégicamente, em projectos de energias renováveis, grid de energias inteligentes e carros eléctricos (ou EV´s) e tecnologias que lhe estão associadas e envolvesse mesmo a maioria dos cientistas e investigadores portugueses num esforço sem paralelo na inovação nestes domínios, tentando dar ao mundo um sinal de que Portugal está vivo, tem capacidade de se re-erguer e re-criar uma indústria em áreas emergentes e com futuro à vista de pelo menos 15 anos. E sobretudo poderia ser um grande balão de oxigênio para a nossa mais que morta economia nacional.

A nota que publiquei sob o titulo " As energias renováveis e a grande oportunidade de Portugal se re-inventar já hoje! " pode ser consultada neste link: ( http://www.facebook.com/note.php?note_id=10150174887149925 ).

Sobre esta nota obtive inúmeros "feedbacks" positivos, mas também muitos que demonstram nem sequer conhecer o que são energias renováveis nem o "state-of-the-art" destas no mundo e muito menos o seu potencial para alavancar o futuro, em termos de alternativas ao petróleo e ao carvão, que já mais o não são, pelo menos em minha modesta opinião.

Até em termos de custos as renováveis há muito ultrapassaram em rentabilidade as tradicionais energias do passado e mesmo as de fonte nuclear, e se para tal houver dúvidas agradeço consultem a nota acima, pois esta contem estudos bem claros sobre esta matéria, bem como estratégias bem claras já em curso delineadas por países que estão a pensar já o futuro, o que não é o nosso caso.

São hoje uma aposta de tal maneira forte as grids inteligentes de distribuição de energia eléctrica (que serão realidade em 5-10 anos, ou menos), de tal forma que estudos apontam que a energia a pagar pelos consumidores dentro de 40 anos, se distribuída através de grids, terá um custo de apenas 50% relativamente aos custos actuais, e teria um custo acrescido de 400% se continuasse a ser fornecida através das actuais e obsoletas redes de energia em exploração.

Até por aqui se poderá ver que a aposta em grids inteligentes, energias renováveis e veículos eléctricos (EV´s) é o futuro e o único caminho a seguir, e no qual é preciso jogar forte e com todas as nossas capacidades, se quisermos ser um "player" activo em algo que será estratégico para a própria humanidade e na sua própria relação com o planeta, de forma muito mais equilibrada e sustentável. Está nas nossas mãos ir a jogo, ou ficar mais uma vez na bancada a assistir e a reclamar das "faltas" e dos "penálities" marcados pelos árbitros deste mundo.

Apenas para demonstar tudo aquilo que tenho vindo a afirmar sobre as energias renováveis e os veículos eléctricos (EV´s) e mesmo sobre as grids inteligentes de distribuição de energia, quero destacar um dos exemplos pioneiros ( de muitos já em curso pelos EUA, China, Japão, etc.), de EV´s e o actual "State-Of-The-Art" do carregamento das baterias destes, através de tecnologias "Wireless", que bem podem vir a suprir aquilo que ainda hoje constitui um grande problema (o único) dos EV´s, que é a sua autonomia.

Como tal o desenvolvimento de carros eléctricos EV já está ao nível do carregamento via "Wireless". Esta investigação pioneira está a cargo, entre outras empresas, instituições e universidades do mundo, também pela Volvo - Ver notícia (  http://reviews.cnet.com/8301-13746_7-20064771-48.html ). 
Isto quer dizer que poderemos, a médio prazo, vir a circular por uma auto-estrada e obter carregamento automático das baterias enquanto o carro circula, tal como hoje funcionam os telemóveis relativamente à conexão de rede!

Por último apenas gostaria de vos lançar uma pergunta final: Alguém ainda tem dúvidas de que os EV´s, as grid´s inteligentes de distribuição de energia eléctrica e a produção de energia através de renováveis (painéis solares, eólicas, etc), e tudo o que se pode implementar de soluções de hardware e software à volta destas tecnologias, como gestão de consumos, automação doméstica, etc, etc, são o futuro nos próximos 15 anos e seria estratégico para Portugal investir de forma focalizada e num esforço que envolvesse Portugal de Norte a Sul ?

Eu estou mesmo convencido de que, se Portugal se empenhasse estratégicamente nestes domínios poderia estar não só na vanguarda da tecnologia em muitas áreas (onde hoje é apenas um "player" curioso na matéria e nas áreas de investigação, embora sem qualquer foco) e poderia mesmo revitalizar a nossa economia e erguer Portugal definitivamente, fazendo-o sair deste fosso de pobreza e miséria, que no fundo, pelo que no inicio descrevi também o é de pobreza de espírito, a qual considero a pior dos tipos de pobreza que nos têm atingido como sociedade, pelo menos nos últimos 100 anos, e talvez a razão maior para o nosso grande falhanço enquanto Nação e democracia, e do qual todos nós portugueses somos responsáveis, em maior ou menor grau !

Francisco Gonçalves
24May2011
francis.goncalves@gmail.com

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