O Estado ao Serviço do Povo — ou o Povo Escravizado pelo Estado?

O Estado ao Serviço do Povo — ou o Povo Escravizado pelo Estado?
Portugal tem-se arrastado, ao longo dos ultimos 50 anos,  e de crise em crise, sempre na beira de um colapso, e o Estado, até agora intocável e todo-poderoso, continua a gastar irresponsavelmente recursos que os cidadãos já não conseguem pagar. Esta insensatez política, profundamente abominável, persiste com total impunidade.

Esta democracia, apesar de trazer consigo inegáveis avanços, carrega uma disfunção estrutural gravíssima: a inversão do seu propósito fundamental. Em vez de ser o Estado a servir o povo, tem sido o povo forçado a sustentar um aparelho estatal monstruoso e ineficiente. Esta mentalidade, herdada do Estado Novo, não foi preservada por acaso, mas sim mantida e premeditadamente cultivada por uma classe dominante que se apoderou do país. Esse grupo transformou o Estado de Direito numa autêntica oligarquia, sempre mascarada de democracia.

Independentemente das soluções que possam ser impostas no futuro pelas instituições de poder da União Europeia, torna-se urgente que essa “elite” de poder compreenda que já não pode mais ocultar o colapso de um Estado disfuncional que continua a escravizar os cidadãos. É imprescindível reverter este paradigma e devolver ao Estado a sua verdadeira missão: prestar serviços de qualidade àqueles que o sustentam, os cidadãos.

É inaceitável que Portugal continue a ter uma das maiores cargas fiscais da Europa, enquanto o retorno em serviços públicos é claramente insuficiente e ineficaz. O caos e o desnorte generalizado, que afeta tanto políticos quanto cidadãos, tem obscurecido o entendimento de uma verdade básica: antes de qualquer outra solução, o Estado deve ser profundamente reestruturado e redimensionado. Os custos de funcionamento e os desperdícios devem ser cortados, para que o Estado finalmente se torne um verdadeiro servidor público, em vez de um fardo pesado e ineficiente.

Se, como sociedade, formos capazes de encarar de frente a realidade do colapso institucional e da má governação que nos tem marcado, compreenderemos que tudo — absolutamente tudo — está errado no atual modelo nacional, inclusive a própria democracia em que vivemos.

E porque o futuro de Portugal e das próximas gerações está em jogo, tudo terá de mudar. Para o bem dos portugueses e da Nação.

Francisco Gonçalves ( fasgoncalves)
15 de abril de 2011
francis.goncalves@gmail.com

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